A indústria da infraestrutura urbana tem passado por uma transformação significativa com a adoção da metodologia BIM (Building Information Modeling). Em projetos de loteamento, essa evolução pode ser aplicada em todas as disciplinas de um projeto de Infraestrutura Urbana e Loteamentos, iremos dissertar especialmente sobre a geometria e terraplenagem aplicando a metodologia BIM.
O Fluxo de Trabalho BIM no Loteamento
Diferente do método convencional, o fluxo BIM integra todas as etapas de desenvolvimento, permitindo que a tomada de decisões seja baseada em um modelo digital rico em informações. Por exemplo listamos algumas etapas fundamentais.
- Topografia Modelada: O processo inicia-se com o levantamento em campo, pode-se obter os dados por diferentes métodos, como laser Scaner, Aerolevantamento e topografia tradicional. Apartir daí é elaborado o Modelo Digital do Terreno (MDT). Além das curvas de nível, o BIM permite a modelagem de elementos verticais (árvores, postes) e infraestruturas existentes, utilizando ferramentas como o Civil 3D e até automações via Dynamo.

- Projeto Urbanístico e Geométrico: Com a base topográfica precisa, define-se o layout das vias, lotes e áreas verdes, integrando requisitos de segurança e fluidez.


- Terraplenagem: Esta etapa visa moldar o terreno para receber a infraestrutura, buscando o equilíbrio ideal entre volumes de corte e aterro.

Projeto Geométrico
O projeto geométrico em BIM não é apenas um desenho, mas uma representação tridimensional composta por:
- Alinhamento Horizontal: Definição do traçado das vias com raios de curvas e tangentes.

- Greide Vertical (Perfil Longitudinal): Estabelecimento das cotas de elevação, respeitando a topografia e garantindo a drenagem eficiente.

- Seção Transversal (Assemblies): Definição detalhada da composição da via, incluindo pistas de rolamento, meio-fio, calçadas e taludes (saias de corte e aterro).

A grande vantagem do uso de softwares como o Civil 3D é a relação dinâmica entre esses objetos. Se o alinhamento horizontal for alterado, o perfil longitudinal e as seções transversais são atualizados automaticamente, reduzindo drasticamente o erro humano e o retrabalho.
Projeto de Terraplenagem
A terraplenagem costuma ser um dos itens mais onerosos em um loteamento. O uso do BIM permite uma análise abrangente para:

- Cálculo Preciso de Volumes: Utilizando a fórmula das áreas médias ou métodos de superfície para determinar volumes de corte e aterro por seção e total do projeto.
- Gestão de Materiais: Considerar fatores como empolamento (expansão do solo escavado) e contração (diminuição após compactação) para planejar o transporte e descarte de terra.
- Identificação de Riscos: Através de estudos geotécnicos integrados, é possível prever problemas de estabilidade de taludes ou solos moles, implementando soluções preventivas ainda na fase de projeto.
Benefícios da Interoperabilidade e Tecnologia
A metodologia BIM facilita a interoperabilidade, permitindo que o modelo criado no Civil 3D seja visualizado e analisado em ferramentas como o Navisworks ou em um CDE. Isso possibilita a detecção de interferências (clash detection) entre a terraplenagem e outras redes, como drenagem e esgoto, antes mesmo de a obra começar.

Além disso, a geração automática de documentos — como notas de serviço, tabelas de volumes e perfis longitudinais — agiliza a etapa de documentação e garante que as informações em campo sejam idênticas às projetadas.
Assim minimizando problemas que seriam identificados apenas no momento da execução da obra, o que oneraria muito mais o empreendimento.
Portanto utilizar a metodologia BIM para projetos de Infraestrutura é algo que impacta positivamente e agrega valor para o empreendimento.
POR:
Anderson Santos de Oliveira – Coordenador e Professor EBPÓS


